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O Padre da Aldeia

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O PADRE NOVO 1960



Na freguesia da Serra, quando o Padre novo tomou conta dos fieis, todos foram contemplados. Os mais velhos passaram a ter missa e acesso directo à confissão, coisa que, há muito tempo não acontecia.

Frente ao confessionário, ajoelhados e de cabeça baixa, vão pedindo a Deus perdão, por palavras ditas ou actos conhecidos, pouco dignos de um ser humano.

Os mais novos, por serem menos crentes, têm outras actividades de maior prazer.No religioso, vão participando conforme suas vontades.

Na vila e seus povos que, por certo reunirão dois milhares de almas sente-se, por todo o lado, a ausência do ensino religioso e a pouca participação nas actividades da Igreja. Os filhos seguem o exemplo dos pais: rezam pouco, mas todos praticam boas acções. Pouco interessa a idade, se homem ou mulher, rapaz ou rapariga; a verdade é que, os paroquianos, sendo pobres ou remediados são felizes à sua maneira.

Com a vinda do Padre novo, abrem-se novos horizontes, é necessário conquistar o povo, nem que para isso, sejam precisos alguns sacrifícios. Aos mais velhos promete vários perdões e um lugar no Céu sem passar pelo Purgatório. Os mais novos, se reunirem qualidades, serão catequistas e ajudarão nas tarefas da Igreja.

Têm ainda a possibilidde de aprender a escrever à maquina, fazer parte do coro religioso ou servir de anjo nas procissões.

É fácil, para um jovem padre de vinte e cinco anos, criar amizades com os seus paroquianos.

Poucas semanas após o início da sua actividade religiosa, chama a si as professoras primárias e algumas raparigas, com idades compreendidas entre os dezasseis e os vinte anos, prometendo-lhes formação religiosa e forma-las catequistas, aptas a formar o coração, o carácter e a consciência, através de métodos fáceis. Distribui-lhes vária literatura, bons catecismos, como a Doutrina Cristã, o Catecismo Católico e o Novo Manual para Catequista. Estabelece regras para que a catequese não seja ensinada para aprender de cór. É necessário compreender, guardar e não esquecer. Por estas razões, o Padre novo forma três grupos distintos: a catequese inicial, destinada a crianças, a preparatória para a primeira comunhão e crisma e ainda a catequese destinada exclusivamente a adultos.

Para os baptizados, orienta os pais e padrinhos. Aos padrinhos diz: "São os segundos pais". Nos preparativos para o casamento, considera como obrigatório a confissão e comunhão, saber rezar e persignar-se, pedir a Deus perdão por possíveis ofensas corporais, por maus pensamentos por cobiçar coisas alheias. Quando casarem, terão de estar puros perante Deus e a Santa Igreja.

Os noivos confessam ao Padre novo os beijos que trocaram, que se amam e querem ser felizes. O Padre novo considera haver pecado: "Têm de rezar e pedir perdão por desejos e tentação"

Na paróquia há adesão a estes princípios. O Padre novo transforma o povo de acordo com as suas vontades.

Com o início dos conflitos em África, a juventude é chamada a participar na guerra, guerra incompreendida, onde se morre sem saber porquê. O Padre novo sabe, à partida, que, citando essa desgraça, colherá grandes proveitos, os suficientes para juntar ao seu rebanho todas as "ovelhas perdidas".

Em todas as missas, faz longas e convincentes homilias e, como bom pregador, mostra-se aos paroquianos modesto e puro, piedoso e bom pastor. Fala dos jovens que estão na guerra, dos vivos e dos mortos, da saúde e da doença e oedem que tenham fé e nunca percam a esperança; apela à participação de todos.

" Rezar várias vezes ao dia, praticar o jejum, ir à missa, confissão, comungar e ajudar em donativos a Santa Igreja e o Santíssimo". Em troca, irão beneficiar do seu perdão e terão, por perto, a protecção do Senhor.

Seguindo estas recomendações, os paroquianos vão à missa, pagam bulas e côngruas e rezam em frente à caixinha com a Sagrada Família. Fazem penitência e contribuem com donativos, em dinheiro e géneros azeite, cereais, aves e animais.

Por promessas feitas, os mais crentes, os que receberam alguma graça, vão a Fátima a pé. O Padre novo, sabendo que é cansativo (nem sempre têm força ou incentivo para os acompanhar) troca o percurso "a pé" por excursões em "camionetas" de carreira"

Os devotos têm, assim, a oportunidade de conhecerem cidades e ver o mar, Santarém, Lisboa, Sintra, Mafra, Ericeira, Alcobaça, Batalha e FATIMA.

Crentes e não crentes, rezam "AVÉ-MARIAS" e cantam "A TREZE DE MAIO ..." pelas estradas de Portugal.

Pela Páscoa e Natal, é com grande devoção que o Padre novo dá a beijar aos paroquianos a Cruz de Cristo e o Menino Jesus.

Padre e paroquianos, os pertencentes a várias comissões, promovem festas religiosas, com majestosas procissões, valorosas fogaças e muitos santos a acompanhar.

Por ser pecado, não se trabalha ao Domingo e, por ser dia do Senhor, à Igreja oferecem o que de melhor têm.

Os paroquianos, sendo ou não devotos, mostram estar cansados ou adormecidos.

Nas Aldeias e Vila, o povo começa a ouvir a telefonia e, nas Terras Grandes, dizem, há uma caixa, com nome de televisão, onde vêm os soldados a partirem para a guerra.

O Povo que tem sido obediente, o Povo que não sabe ler e escrever, que passa fome, começa agora a fazer contas.

O Padre novo passa a, Sr. Padre

O Sr. Padre muda de Paróquia.

Os paroquianos, felizes, ficam na terra que os viu nascer.