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Ser militar da Armada

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 “A PATRIA HONRAI QUE A PATRIA VOS CONTEMPLA”

Esta foi, é,  e será a divisa da Armada desde que, em 1863, por oficio real é mandada afixar em todos os navios da Marinha de Guerra. Os navios actuais mantêm a referida inscrição. São letras em metal com um tamanho de  cinco a dez centímetros por letra. O NRP Sagres, assim como muitos outros, têm a inscrição na roda do leme.
Manda a Ordem da Armada de 31 de Março de 1863
“Manda sua Magestade El-Rei declarar ao Conselheiro, inspector do Arsenal de Marinha, que sendo muito conveniente estimular por todos os modos os brios patrióticos e os nobres sentimentos, há por bem ordenar que imediatamente faça aprontar e assentar, nos navios  que tenham tombadilho no vau deste, e nos outros, no ponto mais visível da tolda, a seguinte inscrição em letras de metal  bem visíveis “A PATRIA HONRAI QUE A PATRIA VOS CONTEMPLA” o que, pela Secretaria  d`Estado dos negócios da Marinha e Ultramar, se comunica o citado inspector para sua inteligência  e devidos efeitos. Paço, 20 de Março de 1863 - José da Silva Mendes Leal”


Março, 1965/inspecção médica para a Armada

 
Junto ao portão da doca da Marinha em Lisboa, os mancebos/voluntários para a Armada, vão chegando às golfadas. Vêm de comboio ou camioneta de carreira. Vêm de todo o País e, como bagagem e esperança, só transportam o desejo do apuramento para o serviço militar na Marinha.
Querem fugir ao duro trabalho no campo, ao frio do Inverno e ao calor do Verão. Não querem cavar a terra e ceifar a ceara. Não querem apanhar a castanha e a azeitona. Querem aprender um oficio e depois terem uma profissão.  
A marinha para estes jovens será a esperança e uma grande paixão.
O primeiro passo começa na Doca da Marinha em Lisboa.
Pelas 08.00 horas é aberto o portão de acesso ao cais e, com este acto vamos aguardando instruções.
Em voz alta foi quebrado o nosso silêncio. 
- Todos os presentes deverão seguir as instruções do senhor marinheiro que vos acompanhará até ao Alfeite - foram as primeiras palavras ouvidas em espaço militar.
-  Alinhem em duas filas e sigam para o pontão.
Nós, alinhados em duas filas vamos seguindo ordeiramente e com muita atenção, não podemos perder uma só palavra. Cada palavra é uma ordem e uma ordem é para cumprir.
- Entrem na embarcação e ocupem os lugares sentados, não quero ninguém na proa do navio.
- Senhor marinheiro, o que é a proa do navio? – pergunto eu.
- A proa do navio é o oposto da ré.
Há um silencio absoluto. Poucos  são os que se atrevem a fazer mais perguntas.
Na doca, uma embarcação de casco preto e a cinzento nas partes superiores espera-nos. À proa, na amura tem a identificação de VP7. Para quem nunca entrou num navio ou embarcação da Armada Portuguesa, é um sonho.
A embarcação não tem armamento, destina-se exclusivamente ao transporte de pessoal militar entre as duas margens do Tejo - doca da marinha em Lisboa e a base naval  no Alfeite.
A embarcação está agora  a meio rio; olhando à nossa direita pode ver-se perfeitamente a Ponte Salazar em construção. Entre Lisboa e Cacilhas os cacilheiros não param. O rio parece uma estrada.
- Isto é que é mar! - exclamou um dos novos “embarcadiços” da VP7.
- Mar da palha - confirmou outro.
- É a primeira vez que vejo mar.
- Então de onde vens?
- Venho do Alentejo, sou de Panoias,  lá não há mar, só há ribeiras.
- E tu vens de onde?
- Venho da Beira Baixa,  perto de Espanha, pela  segunda vez vejo este mar.
 O rio vai ficando para trás e, logo ali à nossa frente, a Base Naval com todo o seu esplendor. Muitos navios! Grandes navios estão amarrados aos pontões. São cinzentos e com muitos canhões. Na amura têm a sua identificação, uma letra seguida de três números. Ao nosso lado estão alguns navios como,  F333; D332 e  M405.
- Que grandes navios! – muitos vão dizendo.
A nossa VP7 passou a ser pequena e insignificante. Não tem canhões! 
- Chegamos à Base Naval, vão sair do navio e seguir as indicações dos senhores marinheiros que estão no cais à vossa.
- “Escolas”, todos em fila até à parada e de seguida subam para o transporte - são camionetas de caixa aberta e com quatro bancos corridos.
Seguimos o percurso junto à água do rio, tendo à nossa direita  a  Escola de Artilheiros. Por todo o lado se vêem peças de Artilharia destinadas a  instrução dos artilheiros da Armada.
Um pouco mais à frente somos despejados numa parada.
- Chegamos ao Corpo de Marinheiros da Armada, formem em três linhas e aguardem.
- Tenham  presente o bilhete de Identidade e a convocatória que vos foi enviada - informa outro marinheiro.
- Sim senhor marinheiro – respondemos em coro.
- A inspecção médica irá ser iniciada após a abertura das instalações que se encontram na vossa frente, só entram depois de chamados .
Duas grandes salas, cada sala  com quatro mesas e cada mesa com duas cadeiras. Duas balanças colocadas no meio da sala e duas réguas pregadas na parede. Quatro militares,  fardados de branco (médicos certamente ), vão perguntando; nome, idade e doenças que já teve. Um dos militares fardado de branco, vai auscultando peito e costas, manda tossir e respirar fundo.   
- Agora vão responder ao questionário;  “sim” ou “não”.
Um outro militar manda levantar o pé esquerdo e depois o direito e vai anotando.
- Segue para a balança.
Ouve-se constantemente 62, 63, 64 quilos.
- Vamos medir a altura, segue para a régua.
Atentamente, vamos seguindo o andamento da esferográfica a deslizar  sobre o questionário.
Depois a sentença final; apto ou inapto.
Por perto, um militar de camuflado vai perguntando aos aptos – fuzileiro, sim ou não. Poucos respondem, no entanto, o militar de camuflado por vezes vai dizendo -  fuzileiro.
Aqui começa a grande separação. Uns para os navios, outros para a carreira das armas. Escola de Alunos Marinheiros em Vila Franca de Xira e a Escola de Fuzileiros  em Vale de Zebro.
Poucos são os inaptos e quando os há, as deficiências estão à vista; falta de  peso, pouca altura, pé chato, falta de visão.... Há quem sorria e quem chore.
Alegria e felicidade para os aptos, no futuro terão certamente uma profissão.
Tristeza e desalento para os inaptos, fugir ao trabalho do campo foi em vão.

A seguir:
O primeiro dia da incorporação

Comentários

-1 Re: Ser militar da ArmadaCamilo 31-01-2012 10:39 #1
Bom dia Caro Amigo e Filho da Escola
Por achar deveras interessante e muito fiel a descrição que faz da vida de Marinha da qual eu também fiz parte, tomei a liberdade de dar a conhecer o seu blogue a malta amiga, todos filhos da escola que participam num outro blogue que o Amigo fica desde já convidado a visitar e participar, pois estou certo que irá lá ver centenas de fotos do seu tempo.
É só clicar em: http://marinheiroslouzan.ning.com/
Um abraço
Camilo
ex Cabo M 196/70

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