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Velha Gueifão nos anos de 1740

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Predição do futuro

 

Tempo virá, em que andará um cavalo Relinchiante Tejo abaixo e Tejo acima, que não comerá palha nem grão. As terras borregãs serão desprezadas e as vãs cultivadas; e não haverá pais por filhos, nem filhos por pais... “.

 

Assim o disse a “Velha Gueifão”, em 1740, a santa ou bruxa da “Gueifoa”, como vulgarmente lhe chamavam, na nossa terra, onde tem descendentes.

E chamavam-lhe Santa, porque era tão religiosa e piedosa, que no interior da igreja, findas as cerimónias religiosa, recuava até à porta, para não voltar as costas ao altar onde estava o Santíssimo Sacramento.

Como entre as pessoas amigas, contava histórias várias, e por vezes predizia o futuro, d`ahi o motivo porque a alcunhavam de Santa ou Bruxa.

O rapazio, quem sempre se regozijou em fazer troça dos velhos, sabendo da fama da Velha e vendo a sua maneira de proceder, perseguiu-a de forma, que ela acabou por se recolher em casa, fugindo assim a vexames e tropelias.

Santa ou Bruxa, o certo é que, os nossos avós, referindo-se aos ditos da velha, que foi muito estimada e conhecida no nosso meio, dizem que o cavalo que ela anunciou, é o comboio, que, em 1891, passou a andar Tejo abaixo e Tejo acima, não comendo palha nem grão, mas água e carvão...

Quanto ao desprezo a que seriam votadas as terras borregãs, em nossos dias se vê que, os trabalhadores do campo, preferem cultivar as terras de charneca, ou de sequeiro, naquele tempo cobertas de mato, porque, como eles dizem, cavam-se e voltam-se-lhes as costas, isto é, não exigem tantos cuidados e canseiras, como as culturas em terras de regadio.

Finalmente, na indisciplina social porque vamos passando, vemos bem o significado das suas palavras, pois o respeito, a obediência e a humildade, velharias d`outros tempos, passaram a ser considerados como actos de servilismo.

Hoje, tudo é igual na aparência...

Quanto mais se luta pela igualdade universal, a ponto de sonhar com o termo das fronteiras, a barafunda em que se vive, é cada vez maior.

A fraternidade, dentro das próprias nações, é como o “Zé Pereira” nas festas; e, as poderosas esquadras, bem como as máquinas de guerra, cada vez mais aperfeiçoadas, preparam-se para renovar a apregoada paz universal... em que não haverá pais por filhos, nem filhos por pais”.

A. Gueifão/2013

(Transcrição de um jornal que se editava em Gavião, intitulado” O ALTO ALENTEJO”, número 53 de 19 de Março de 1924 – relembrado em 2002 num boletim da Câmara Municipal de Gavião)