http://arturgueifao.com/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/402672A1.jpglink
http://arturgueifao.com/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/737587A2.jpglink
http://arturgueifao.com/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/531830A4.jpglink
http://arturgueifao.com/components/com_gk3_photoslide/thumbs_big/304936A3.jpglink
Black & White : Entrada / Crónicas / A velhice - Desabafos em Lar
A+ R A-

A velhice - Desabafos em Lar

Enviar por E-mail Versão para impressão

UM GRUPO DE AMIGOS ESTÃO A RECORDAR.

Nasci aqui por perto e fui batizado na nossa Igreja Matriz. Fiz a quarta classe na Escola Velha, a escola da Vila. Tenho em memória o calor e o frio, a chuva e o vento. Não esqueço, não! Agora tudo está diferente. Em criança, corri pelos campos e COLHI FLORES, MUITAS FLORES, PARA A MINHA MÃE; as papoilas vermelhas, os lírios azuis e os jacintos amarelos - ó minha mãe! Apanhei pinhas e estevas para o lume, colhi bolotas e azeitonas para comer. Diverti-me nas festas e romarias; os bailes, as fogaças, as rifas e os foguetes. Este tempo não volta mais, não volta, não! Tantas raparigas bonitas, as moças, eram de encantar… e foi na festa da Vila, onde encontrei a rapariga mais bonita da minha vida; depois, a felicidade sempre me acompanhou, até que um dia, até que um dia...e continuaram os vários desabafos entre amigos - fui operário e agricultor. Fui estudante e militar. Fui engenheiro. Fui doutor e fui professor. As minhas mãos semearam e colheram, as minhas mãos construíram. As minhas falas ensinaram e os meus passos levaram o saber. Fui portador de tanta coisa boa e tive tanta sabedoria. Agora, aqui estou de cabeça baixa; estou pensando e recordando o que fui e o que tive, o que sou e o que tenho. Fui criança feliz. Fui operário e agricultor. Fui estudante, fui engenheiro, fui doutor. Fui militar e também professor. Hoje, quando levanto a cabeça, dou em mim – sou mesmo eu, sou eu, sim! Estou sentado e com muita dificuldade para me movimentar. Quando falo, será que, me querem ouvir ou estarei a incomodar? Em tempos, fui e fiz tanta coisa boa…adorava falar, ensinar, trabalhar e participar. Finalmente, resta-me esta cadeira para me sentar, o cobertor para me tapar e a modesta cama onde me vão deitar. Mesmo assim, sou feliz, há sempre uma mão para me amparar

“Ó minha mãe, tanta falta me fazes”.

O resto, meu amigo, dá para pensar.

Crónica de; A.Gueifão./Belver/Gavião